Ou porque eu não curto essas paradas de fim de ano. Caros amigos, primeiramente não me levem a mal ou me tomem por mal humorada. Sou do tipo que não só abraça o capeta sempre mas se pega com ele loucamente. Entro em tudo, de boa fé. Mas isso não quer dizer que eu concorde com tudo. E abaixo tentarei explicar em poucas palavras o que me irrita no chegado e irritante fim de ano empresarial e coleguístico.
O bendito do amigo secreto
A regra é clara, Galvão: amigo secreto tradicional, desses de provar que você conhece a pessoa e vai dar um presente surpreendente só dá certo entre grandes amigos e olha lá. Do contrário é choro, decepção e miséria. O fim de ano chega e você tem que participar de pelo menos 10 amigos secretos, cada um custando pelo menos 30 dilmas acima. Isso com certeza é invenção do demônio pra levar embora o 13º. O foda é que na maioria das vezes você só sai com aquele camarada para o qual só deu uns dois bom dias na vida.
É muita injustiça ter que provar que conhece o sujeito e escolher o presente ideal. O castigo quase sempre vem dobrado: a qualidade ruim do que você ganha é diretamente proporcional ao azar que você teve tirando o papelzinho. E eu não vou nem entrar no mérito de quando o amigo secreto é de sacanagem. Sempre tem aquela vadia cheia de rancor no coração que aproveita pra dar uma master indireta e gerar discórdia pro resto do ano inteiro. Haja choro, sensibilidade e gerenciamento de crise.
A dica é uma só: stick to the list. Tudo bem que se as pessoas fossem realmente inteligentes acabavam com essa coisa de amigo secreto e ia cada um na loja comprar o seu presente. Mas como as pessoas são estranhas, se ligar na lista de presentes é sempre uma alternativa pra evitar a fadiga.
As confraternizações
Com as feshtas eu nem implico tanto, porque depois de uma certa quantidade de cerveja gratuita eu fico mais feliz que o Bozo. O problema é que quem organiza a festa sempre o faz para si. Eu nem sou a favor de excesso de democracia e essa história de votação e de ~deixa a galera decidir~ é sempre motivo pra mais briga.
Mas uma festa boa é sempre eclética. Na firma tem gente com gosto pra tudo e esses gostos devem ser respeitados, senão a palavra confraternização deixa de ter significado. Depois que a galera já brigou por causa de data, cardápio e tema da festa, sempre vem a pior das brigas: música. Por mim, qualquer festa seria sempre igual: desliga a luz, libera as dorgas, bota o rock'n'roll e deixa o pau quebrar.
Só que tem a turma que quer dançar o forró, o funk, quer dar o cu de cabeça pra baixo e quem organiza nunca entende isso. O resultado é sempre previsível: 40% desiste de ir, e dos 60% que vão, 30% ficam meia hora na festa com cara de cu e vão embora sem desejar Feliz Natal pra ninguém, 15% se diverte sozinho de qualquer jeito porque bebe (MINHA TURMA!!) e os 15% restantes, a patota da organização, realmente se diverte.
Outra coisa que eu acho que devia ser proibida é o tal do acompanhante. Eu sou radical a ponto de achar que nem marido, mulher, namorado e similares deveriam estar presentes. Marido, mulher, namorado e namorada e quase sempre sinônimo de cara de cu. Mas na sociedade goiana, patriarcal e boiadeira, eu nem falo isso muito alto e relevo essas companhias. O pior é que tem a galera que além do respectivo(a), leva o primo, o sobrinho, a mãe e todos os amigos de infância. O resultado é aquele conhecido isolamento, as panelinhas da feshta (se bem que depois de um tempo até o poste vira brother pra mim) e tanta cara de cu que a festa fica parecendo uma estante cheia de disco do Tom Zé.
Bom, é por aí. Eu não sou contra esses momentos, mas gosto quando eles realmente são aproveitados em conjunto e se tornam uma oportunidade de conhecer melhor e criar laços com as pessoas que no dia a dia a gente quase não fala. Pena que as pessoas são estranhas e não conseguem enxergar isso. :~~